SINOPSE
Nietzsche, Heidegger, Adorno, Horkheimer, Jean Paul Sartre, Foucault e Derrida são alguns dos pensadores abordados em O que é filosofia contemporânea, do filósofo, livre-docente e professor titular de filosofia pela Unesp, Paulo Ghiraldelli Jr. A publicação da Coleção Primeiros Passos da Editora Brasiliense já está à venda nas principais livrarias de todo o País.
No livro, as principais características da filosofia contemporânea são explicadas pelo autor de modo a transmitir ao leitor uma visão sucinta, panorâmica e de fácil compreensão do assunto. “Tentei fazer o que é próprio de um verbete crítico. O leitor poderá, certamente, traçar um plano maior de estudos e investigações, ou ao menos ter para si um quadro do que os filósofos fizeram entre o século XIX e o início deste nosso século”, afirma Ghiraldelli.
De acordo com o autor, até o final dos anos 1960, uma boa parte dos estudiosos considerava a filosofia contemporânea a partir de um rol de escolas e movimentos. Só depois a disciplina foi definida em duas grandes tendências: a analítica e a continental.
A primeira teve início no final do século XIX, sendo voltada para a linguagem e para a lógica, com pensadores como Frage, Wittgenstein, Peirce e Dewey. Por contraposição, todas as outras tendências ficaram com o rótulo de filosofia continental, entre as quais escolas como a fenomenologia, o existencialismo, a hermenêutica, a Escola de Frankfurt, o marxismo, o estruturalismo, o pós-estruturalismo e as outras tendências mais ou menos afins.
Para Ghiraldelli Jr., a passagem da filosofia moderna para a contemporânea ocorreu pela mudança na noção de subjetividade. Nietzsche esteve no centro do redemoinho da ruptura com a modernidade, quando escreveu que o conceito de “verdade”, fruto de um pensamento socrático, precisava ser denunciado, e a concepção de “sujeito” e “indivíduo” nada mais era do que uma “ilusão gramatical”.
Para desempenhar essa tarefa, Nietzsche notou que o “sujeito” é inerente à linguagem, portanto fruto da prática social.
Com 141 paginas, o livro, que conta também com indicações de leitura, dá as bases para o pensamento do existencialismo de Jean Paul Sartre (1905-1980), que ganhou força no pós-guerra. Para o pensador francês, explica o autor, não existe nenhuma essência humana que determine a moral. A única condição humana seria a de estar no mundo e de existir, isto é, não são as circunstâncias que decidem, sendo o sujeito o responsável pela sua existência. No livro, o filósofo explica que a liberdade sartreana não pode ser atenuada, uma vez que não foi pensada no contexto de influências psicológicas, históricas e ideológicas. “Essas barreiras não podem ser evocadas porque nenhum homem consegue não exercer a decisão”, afirma.
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