Caio Prado Jr.
Não há como contar a história da Editora Brasiliense sem antes revelar a história de seu fundador: Caio Prado Jr. – intelectual, escritor, político, filósofo, geógrafo e editor. O escritor paulistano foi membro do Partido Comunista Brasileiro e preso diversas vezes. Autor de livros importantes para entender a sociedade brasileira, como Formação do Brasil contemporâneo, Caio Prado Júnior foi considerado o maior historiador brasileiro do século XX, por Sérgio Buarque de Holanda. Preocupação com a realidade brasileira O Brasil era o principal foco das atenções de Caio Prado Jr.
Ele mesmo dizia que seu acentuado interesse pela situação brasileira nascera de uma longa viagem que fizera pelo País, aos 18 anos de idade, na qual pôde observar nossa diversidade regional e os problemas decorrentes da miséria e do subdesenvolvimento. Desde então, Caio não se limitou a estudar o País do ponto de vista histórico, econômico, político e geográfico, e refletir sobre seus problemas em busca de soluções, mas empreendeu diversas viagens de reconhecimento, pois queria ver as coisas in loco.
Ele se orgulhava de conhecer o Brasil por inteiro, de norte a sul. Como intelectual teve importante atuação política ao longo das décadas de 1930 e 1940, tendo participado das articulações para a Revolução de 1930. Interessado em publicar livros que abordassem vários aspectos da realidade brasileira, Caio Prado Jr. funda, em 1943, a Editora Brasiliense, junto com seu amigo Monteiro Lobato, seu sócio até 1948 (ano do falecimento de Monteiro Lobato).
A livraria Monteiro Lobato, fruto da sociedade de Caio Prado Jr. e Monteiro Lobato era ponto de encontro de intelectuais e militantes políticos. Como militante e escritor, expressou seus conceitos sobre a realidade brasileira por meio de livros e militância que até hoje são discutidos. Um de seus livros, A Revolução Brasileira rendeu-lhe o Prêmio Juca Pato, como o intelectual do ano em 1966, concedido pela União Brasileira de Escritores. Em 1988, Caio foi agraciado com o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia, conferido pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e pelo CNPq (área de Ciências Humanas), mas já não tinha condições de recebê-lo pessoalmente e sua filha Danda o representou na cerimônia de entrega do prêmio.
Caio Prado Jr. morreu em 1990, depois de vários anos de luta contra o Mal de Alzheimer. A função do intelectual (Caio Prado Jr.) “Refiro-me ao intelectual atuante, ao homem de pensamento que não se encerra em torre de marfim, e daí contempla sobranceiro o mundo. E sim aquele que procura colocar o seu pensamento a serviço da coletividade em que vive e da qual efetivamente participa. E é justo o critério que norteia a concessão do Prêmio Juca Pato, pois é sobretudo de homens de pensamento, que seja também homens de ação, que o Brasil necessita. E necessita hoje mais do que nunca, neste momento que vivemos, quando parecem coincidir um máximo de necessidades e aspirações do povo brasileiro, a exigirem amplos horizontes e perspectivas, com o projeto, bem marcado e abertamente proclamado pelas atuais forças dominantes no País, de limitar aquelas perspectivas e encerrá-las na tutela de um estreito horizonte”. Discurso proferido por ocasião do recebimento do Prêmio Juca Pato.
É possível vislumbrar aí, por suas próprias palavras, quem foi Caio Prado Jr.: um homem de pensamento e de ação e as obras da Editora Brasiliense sempre foram eleitas segundo os valores de seu fundador – rico conteúdo proferido pelos melhores autores: mestres, pensadores e intelectuais que fazem a diferença na cultura de um povo.
Obras de Caio Prado Jr. publicadas pela Editora Brasiliense:
1933: Evolução política do Brasil
1942: Formação do Brasil Contemporâneo
1945: História Econômica no Brasil
1953: Evolução Política do Brasil e Outros Estudos
1966: A Revolução Brasileira
1972: História e Desenvolvimento
1979: A Questão Agrária no Brasil
1980: O que é Liberdade
1981: O que é Filosofia
1983: A Cidade de São Paulo