Caio Graco Prado
Com a morte de seu pai, Caio Prado Jr, o herdeiro da Editora Brasiliense e de seu legado passou a ser Caio Graco Jr. Ele transformou a Brasiliense na segunda maior editora do País na década de 80, graças a seu espírito jovem e criador, sempre orientado para o novo e para a divulgação da cultura.
A Brasiliense nasceu para divulgar idéias de intelectuais esquerdistas. Aos poucos, com a presença de Monteiro Lobato, sócio da editora, acentuou a importância do mercado para o livro. Em 1985, com a venda de três milhões de exemplares, a Brasiliense ocuparia o primeiro lugar em são Paulo. A Brasiliense nunca perdeu sua presença intelectual, mas era preciso dar o salto histórico-mercadológico efetivo, sem preconceitos.
Foi o que Caio Graco fez. Se nos tempos de seu pai, o diálogo ocorria entre intelectuais, as décadas posteriores apontariam para novas direções. Antes, o debate se dava no círculo ideológico. Agora, a frente da briga era simbolizada pelo imenso vazio educacional e, posteriormente, cultural. Era preciso desatar o nó que permitisse manter a identidade da Editora, vanguardista, formadora de opiniões, sem perder de vista também as necessidades dos milhares de leitores Brasil afora. O estalo, como era do jeito de Caio Graco - ele gostava de comparar idéias a raios iluminadores -, aconteceu durante a reunião de 1979 da SBPC, realizada em Fortaleza (CE). O mesmo editor que estimulava encontros de escritores na livraria da Brasiliense à Rua Barão de Itapetininga, observou que o público não conseguia acompanhar as discussões por causa do problema mais elementar e complexo deste mundo, a ignorância. E eram jovens universitários, interessados nos temas que se discutiam nos meios acadêmicos e científicos. A inspiração tomou forma e matéria com a Coleção Primeiro Passos. Livros em formato de bolso, encomendados a professores e especialistas em assuntos que variavam da filosofia à história, se tornaram o fato editorial de 1980. Aqueles três milhões de exemplares ocorreram por conta disso. A coleção é um achado. Permite uma agilidade praticamente jornalística à Editora. Qualquer assunto da hora pode sugerir outro volume. Primeiros Passos deu cria a novas coleções, como Encanto Radical e Cantadas Literárias, e inspirou outras editoras a adotar a mesma linha.
A ousadia do esportista Caio Graco, que gostava de pilotar aviões, motos e asa-delta, que lhe custaram ossos partidos, se afinou com a curiosidade que se atribui à juventude. Se o escritor cria leitores, o editor pode e deve criar escritores, com o estímulo indiscutível do lançamento. Ocorreu diversas vezes. Uma delas com Marcelo Rubens Paiva, que se refere ao editor como um segundo pai e que sofreu o acidente que o tornou tetraplégico, ponto de partida para Feliz Ano Velho, lançado em dezembro de 1982, livro de muito sucesso.
Caio Graco só não foi escritor. Como livreiro, expandiu a Livraria Brasiliense, que deixou a Rua Barão de Itapetininga, no Centro da Capital, para entrar no bairro dos Jardins e se espalhou com um sistema de franquias. Caio Graco faleceu aos 60 anos, no dia 18 de junho de 1992, vítima de traumatismo craniano, após sofrer um acidente de motocicleta no distrito de Monte Verde, em Camanducaia (MG). Seu legado e da Família Prado seria então absorvido pela sua irmã – Danda Prado.